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| A espera de um transplante |
| Durante todo o ano de 2006 e primeiro quadrimestre
deste ano, apenas 14% das pessoas que morreram em Sorocaba e nas 47
cidades da região tiveram seus órgãos doados para transplante. A complexidade
na captação e os impedimentos impostos pelas famílias dos doadores
estão entre os diversos obstáculos enfrentados para a doação. Entre
1 de janeiro de 2006 e 30 de abril de 2007 a OPO (Organização de Procura
de Órgãos) de Sorocaba recebeu 154 notificações sobre possíveis doadores
(pessoas que estavam internadas em hospitais e apresentavam suspeita
de morte cerebral). Familiares temem ‘violação’ do ente querido Horas depois de receber a a notícia de que seu filho de 17 anos havia morrido ao ter a bicicleta atingida por um carro, a dona-de-casa Gisele Fernandes Dias, 35 anos, pediu para assinar a documentação autorizando a doação dos órgãos. Muitas famílias, no entanto, proíbem a doação por medo de terem o corpo do ente querido “violado”. O médico César Casonatti afirma que entre as recusas, fatores religiosos são maioria. “Existem pessoas que afirmam ter medo que o corpo chegue incompleto à outra vida”. Dos 23 cadáveres que tiveram órgãos captados em Sorocaba nos últimos 16 meses, 15 eram homens e oito mulheres. No total eles doaram cinco pâncreas, 25 rins, 16 fígados e quatro pulmões, além de córneas e outros órgãos e tecidos. |
| Gisele Fernandes doa os órgãos do filho adolescente morto em acidente: “Sempre abordei o assunto com a família” |
| Só 14% dos mortos na região de Sorocaba têm órgãos doados; famílias impedem 11% das captações. |
| Assis Cavalcante/Agência BOM DIA |
| A dona-de-casa Gisele Dias havia conversado com a família sobre doação mesmo antes do acidente que vitimou o filho Marlon Bruno Fernandes. “Eles sempre foram conscientizados e sei que meu filho concordaria com a decisão que tomei. Saber que existiam pessoas sendo beneficiadas ajudou toda a família a passar pelo momento de perda”, disse. Segundo a OPO de Sorocaba, os órgãos e tecidos captados do adolescente beneficiaram mais de 100 pessoas. Entras as captações estavam fígado, pâncreas, coração, rins e até ossos. Três dias depois da morte de Marlon, o Hospital de Base de Bauru transplantou um de seus rins em M.L.F.L., 37 anos, que sofria de insuficiência renal crônica e há 4 anos e meio realizava sessões diárias de hemodiálise. Atualmente o Conjunto Hospitalar de Sorocaba faz 95% das captações de órgãos na região. O transplante é feito na cidade onde está o receptor. A Secretaria Estadual de Saúde não tem levantamento sobre o número de sorocabanos à espera de um transplante. |