No caso do fígado, 20,7% morreram enquanto aguardavam transplante
EPTV
Campinas
29/03/2007 - 14:49
Mesmo com o aumento no número
de transplantes de órgãos em 2006, muita gente não teve a sorte de
conseguir passar pela cirurgia a tempo para salvar a vida. Só no ano
passado, 1.575 pessoas morreram na fila de espera. Para que essa história
possa mudar, é preciso a conscientização das pessoas.
A Central de Captação de Órgãos da Unicamp registra por mês uma média
de 18 transplantes, mas seria necessário pelo menos o dobro para atender
a demanda da região. Em Ribeirão Preto, que coordena o transplante
de rim, fígado e córnea, são feitas em média 200 notificações por
mês, só que apenas 30% dos
órgãos são aproveitados.
No ano passado, 849 pessoas morreram enquanto aguardavam um transplante
de fígado, o que representam 20,74% dos que estavam na fila de espera.
No caso do rim, foram 694 mortes, ou 7,69% dos que aguardavam o transplante.
A espera por um coração novo foi em vão para 54 pacientes, quase a
metade dos que esperavam transplante (54,57%). Já no caso do transplante
de pulmão foram 17 mortes, 48,12% dos que estavam na fila.
“Quando ele faleceu, era o 34º da fila”, diz a professora Paula Coelho,
referindo-se à morte do pai, que esperou por um transplante de fígado.
A médica Ilka Boin, da unidade
de transplante da Unicamp, diz que quanto mais grave for a situação
do paciente, maior é a mortalidade na lista de espera. “A gente não
tem órgãos suficientes para transplantar esses pacientes”, diz.
Para Maria Inês Carvalho, presidente de uma Organização Não-Governamental
(ONG) que trabalha com transplante em Indaiatuba, falta também consciência
dos profissionais da área, que acabam não acionando as centrais de
captação para que determinado transplante possa ocorrer. “Se ele (o
profissional) não estiver preparado nada acontece”, afirma.
Esse é o medo do líder de produção Adilson Alves, que tem hepatite
C e há um ano aguarda
por um transplante. “É uma ansiedade muito grande e a gente acaba
entrando em depressão”. Como ele, 15.641 pessoas estão na fila de
espera no Estado de São Paulo à espera de um transplante.
O coordenador da Organização de Procura de Órgãos da Unicamp, Helder
Zambelli, diz que, por causa do longo tempo na fila, muitos receptores
quando são chamados para o transplante estão em um estado tão debilitado
que não podem ser transplantados naquele momento. “É importante que
tenha um maior número de doações para que esta fila ande mais rápido”.
A Secretaria de Saúde do Estado explica que não é
possível afirmar que a causa de todas as mortes seja a demora em receber
o órgão. Para a agilizar as filas, a assessoria de imprensa informou
que são feitas campanhas constantes de conscientização, de médicos
e também da população, sobre a importância da doação de órgãos.