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| Grupo de Atuação Brasileiro para Realização de Transplantes Infantis e Estudos do Tubo NeuraL |
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| Sobre Doação de Órgãos
Quando um transplante é bem sucedido, uma vida é salva e com ele resgate-se também a saúde física e psicológica de toda a família envolvida com o paciente transplantado. No Brasil, hoje, aproximadamente 70.000 pessoas (2007) aguardam por um transplante. Essas vidas dependem única e exclusivamente da autorização da família do paciente com morte encefálica comprovada, autorizar a doação. Um gesto que pode transformar a dor da morte em continuidade da vida. Dentro desse
universo existe uma outra realidade que é a do transplante pediátrico.
Existem hoje no Brasil, diversas Associações Médicas, ONGs e movimentos independentes que trabalham incansavelmente para melhorar esse panorama. Conheça algumas delas, acessando os sites em nossa relação de links. Dúvidas mais Freqüentes
O que podemos doar?
Damos abaixo uma lista de órgãos e tecidos que são utilizados para transplantes:
· Córneas (retiradas do doador até 6 horas dpc e mantidas fora do corpo por até 7 dias); · Coração (retirado do doador apc e mantido fora do corpo por no máximo 6 horas); · Pulmão (retirados do doador apc e mantidos fora do corpo por no máximo 6 horas); · Rins (retirados do doador até 30 minutos dpc e mantidos fora do corpo até 48 horas); · Fígado (retirado do doador apc e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas); · Pâncreas (retirado do doador apc e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas); · Ossos (retirados do doador até 6 horas dpc e mantidos fora do corpo por até 5 anos). · Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue); · Pele; · Valvas Cardíacas.
dpc - depois da parada cardíaca apc - antes da parada cardíaca
Como posso me tornar um doador de órgãos?
· Ter identificação e registro hospitalar; · Ter a causa do coma estabelecida e conhecida; · Não apresentar hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35ºC), hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do Sistema Nervoso Central; · Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante; · Submeter-se a exame complementar que demonstre morte encefálica, caracterizada pela ausência de fluxo sangüíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral; · Estar comprovada a morte encefálica. Situação bem diferente do coma, quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo que com dificuldade ou um pouco debilitadas.
Observação: Após diagnosticada a morte encefálica, o médico do paciente, da Unidade de Terapia Intensiva ou da equipe de captação de órgãos deve informar de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante.
· Ser um cidadão juridicamente capaz; · Estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais; · Apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação; · Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e não impeça o organismo do doador continuar funcionando; · Ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante; · Ser parente de até quarto grau ou cônjuge. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial;
Órgãos e tecidos que podem ser doados em vida:
· Rim; · Pâncreas; · Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue); · Fígado (apenas parte dele, em torno de 70%); · Pulmão (apenas parte dele, em situações excepcionais).
· Pacientes portadores de insuficiência orgânica que comprometa o funcionamento dos órgãos e tecidos doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular; · Portadores de doenças contagiosas transmissíveis por transplante, como soropositivos para HIV, doença de Chagas, hepatite B e C, além de todas as demais contra-indicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados; · Pacientes com infecção generalizada ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas; · Pessoas com tumores malignos com exceção daqueles restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero e doenças degenerativas crônicas.
Lei que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante é a Lei 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, posteriormente alterada pela Lei nº. 10.211, de 23 de março de 2001, que substituiu a doação presumida pelo consentimento informado do desejo de doar. Segundo a nova Lei, as manifestações de vontade à doação de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, após a morte, que constavam na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação, perderam sua validade a partir do dia 22 de dezembro de 2000. Isto significa que, hoje, a retirada de órgãos/tecidos de pessoas falecidas para a realização de transplante depende da autorização da família. Sendo assim, é muito importante que uma pessoa, que deseja após a sua morte, ser uma doadora de órgãos e tecidos comunique à sua família sobre o seu desejo, para que a mesma autorize a doação no momento oportuno.
A Centrais Estaduais também têm um papel importante no processo de identificação/doação de órgãos. As atribuições das CNCDOs são, em linhas gerais: a inscrição e classificação de potenciais receptores; o recebimento de notificações de morte encefálica, o encaminhamento e providências quanto ao transporte dos órgãos e tecidos, notificação à Central Nacional dos órgãos não aproveitados no estado para o redirecionamento dos mesmos para outros estados, dentre outras. Cabe ao coordenador estadual determinar o encaminhamento e providenciar o transporte do receptor ideal, respeitando os critérios de classificação, exclusão e urgência de cada tipo de órgão que determinam a posição na lista de espera. O que é realizado com o auxílio de um sistema informatizado para o ranking dos receptores mais compatíveis. A identificação de potenciais doadores é feita, principalmente, nos hospitais onde os mesmos estão internados, através das Comissões Intra-hospitalares de Transplante, nas UTIs e Emergências em pacientes com o diagnóstico de Morte Encefálica. As funções da coordenação intra-hospitalar baseiam-se em organizar, no âmbito do hospital, o processo de captação de órgãos, articular-se com as equipes médicas do hospital, especialmente as das Unidades de Tratamento Intensivo e dos Serviços de Urgência e Emergência, no sentido de identificar os potenciais doadores e estimular seu adequado suporte para fins de doação, e articular-se com a respectiva Central de Notificação, Captação e Distribuição de órgãos, sob cuja coordenação esteja possibilitando o adequado fluxo de informações.
É preciso olhar sob o ponto de vista do paciente em fila de espera. Imaginemo-nos em seu lugar. Tente sentir a angustia de um dia após o outro, aguardando o telefone tocar com a possibilidade de um doador. Conviva com a deficiência de um órgão frágil, do qual depende sua vida e por muitas vezes, morrer enquanto se espera. Adicione-se a isso o sofrimento familiar. Todos ficam "doentes" de uma certa maneira. Conseguiu? Quem sabe, a
partir dessa perspectiva, o número de rejeição familiar passe a diminuir.
"Um dia, um doutor determinará que meu cérebro deixou de funcionar e que basicamente minha vida cessou. Quando isso acontecer, não tentem introduzir vida artificial por meio de uma máquina. Ao invés disso, dêem minha visão ao homem que nunca viu o sol nascer, o rosto de um bebê ou o amor nos olhos de uma mulher. Dêem meu coração a uma pessoa cujo coração só causou intermináveis dores. Dêem meus rins a uma pessoa que depende de uma máquina para existir, semana a semana. Peguem meu sangue, meus ossos, cada músculo e nervos de meu corpo e encontrem um meio de fazer uma criança aleijada andar. Peguem minhas células, se necessário, e usem de alguma maneira que um dia um garoto mudo seja capaz de gritar quando seu time marcar um gol, e uma menina surda possa ouvir a chuva batendo na sua janela. Queimem o que sobrou de mim e espalhem as cinzas para o vento ajudar as folhas nascerem. Se realmente quiserem enterrar alguma coisa, que sejam minhas falhas, minhas fraquezas e todos os preconceitos contra meus semelhantes. Dêem meus pecados ao diabo e minha alma a Deus. Se quiserem lembrar de mim, façam-no com um ato bondoso ou dirijam uma palavra delicada a alguém que precise de vocês. Se vocês fizerem tudo o que estou pedindo, viverei para sempre.
Oração do Doador Ao Deus do meu coração e do meu entendimento, que me proporcionou um
corpo saudável e um coração generoso. Fazei que, nenhuma vontade de
parente ou amigo, suplante o meu desejo e determinação de ser um doador
de órgãos e de tecidos.
. Que assim seja!
LEGISLAÇÃO |