
Doar órgãos é um ato de amor e solidariedade.
Quando um transplante é bem sucedido, uma vida é salva e com ele resgate-se
também a saúde física e psicológica de toda a família envolvida com
o paciente transplantado. No Brasil, atingimos a marca de aproximadamente
70.000 pessoas (2007) aguardando por um transplante. Essas vidas dependem
da autorização da família do paciente com morte encefálica comprovada
autorizar a doação. Um gesto que pode transformar a dor da morte em
continuidade da vida.
Encerramos o ano de 2010 com crescimento
contínuo na taxa de doação e transplantes no país, tendo
quase atingido o objetivo proposto (10 doadores por milhão de população - pmp),
ficamos com 9,9 doadores efetivos pmp (aumento de 13,8%
em relação a 2009), mas como passamos a utilizar a nova
classificação proposta pela OMS, obtivemos 9,6 doadores
efetivos com órgãos transplantados.
Com relação à taxa de doadores efetivos com órgãos transplantados, o estado de São Paulo ultrapassou a barreira dos 20 pmp, (21,2), seguida pelo estado de Santa Catarina (17,5 pmp). Entretanto, os estados da região norte necessitam um apoio mais forte, para reverter a sua situação.(fonte: ABTO)
No Brasil, o Sistema Público de Saúde (SUS), financia mais de 95% dos transplantes realizados e também subsidia todos os medicamentos para todos os pacientes. É uma das maiores políticas públicas de transplantes de órgãos do mundo.
Em países como a Espanha, essa relação chega a 35 pmp. A Argentina
registra o número de 12 pmp.
Assim como a GABRIEL
muitas outras ONGs espalhadas pelo território nacional se propõem
a incentivar a doação e levar a informação correta à população sobre
Transplantes de Órgãos e Tecidos.
Através da informação poderemos alterar esses dados. Quanto mais a
população se conscientizar da importância de se tornar um doador,
menor será a angustiante fila de espera por órgãos.
Não enfrentamos grandes obstáculos à doação de órgãos no Brasil, visto que todo o processo está regulamentado. A única forma de um indivíduo se tornar doador de órgãos, após a sua morte, é avisar seus familiares, manifestando, em vida, este desejo. Só é possivel a Doação de Órgãos no Brasil com a autorização familiar. Quando isto ocorre, a família sempre concorda com a doação para satisfazer o "último desejo" deste indivíduo. Para entendermos um pouco mais como é o pensamento da populção encomendamos uma pesquisa aos alunos da FATEC - Indaiatuba sobre o assunto. A pesquisa mostra não só as dúvidas e medos da população, mas retrata a opinião de grande parte dos cidadãos brasileiros que continuam tendo, na falta de informação, o principal empecilho no momento de decidir sobre a doação de órgãos. Clique aqui para ver a pesquisa.
Dentro desse universo existe uma outra realidade que é a do transplante
pediátrico. Se para o adulto a espera por um doador é difícil, imaginem
quando o paciente é uma criança. O número de doadores em potencial
reduz significativamente as chances da efetivação do transplante.
Existem hoje no Brasil, diversas Associações Médicas, ONGs e movimentos
independentes que trabalham incansavelmente para melhorar esse panorama.
Conheça algumas delas, acessando os sites em nossa relação de link´s.
Dúvidas Mais Frequentes
O que podemos doar?
Um único doador pode beneficiar até 25 pessoas! Ou melhor, 25 vidas! No entanto, os transplantes mais comuns são assim classificados: Órgãos: coração, fígado, rim, pâncreas, pâncreas/rim, pulmão, intestino e estômago. Tecidos: sangue, córnea, pele, medula óssea, dura máter, crista ilíaca, fáscia lata, patela, costelas, ossos longos, cabeça do fêmur, ossos do ouvido, safena, vasos sangüíneos, válvulas cardíacas, tendões e meninge.
Damos abaixo uma lista de alguns órgãos e tecidos que são utilizados para transplantes:
| Órgão/Tecido | Tempo/Reirada | Tempo/Transplante |
|---|---|---|
| Coração | antes da PC* | 4 - 6 h |
| Pulmões | antes da PC | 4 - 6 h |
| Fígado | antes da PC | 12 - 24 h |
| Pâncreas | antes da PC | 12 - 24 h |
| Rins | até 30´após PC | até 48 h |
| Córneas | até 6 h após PC | 7 a 14 dias |
| Ossos | até 6 h após PC | até 5 anos |
*PC - parada cardíaca
Como posso me tornar um doador de órgãos?
O passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.
O que é morte encefálica?
É a morte do cérebro, incluindo tronco cerebral que desempenha
funções vitais como o controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada
cardíaca é inevitável. Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa
com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não
baterá por mais de algumas poucas horas. O termo Morte Encefálica se aplica a condição final, irreversível, definitiva de cessação das atividades do Tronco Cerebral e do Cérebro. Por isso, a morte encefálica
já caracteriza a morte do indivíduo. Morte encefálica significa a morte da pessoa. É uma lesão irrecuperável e irreversível do cérebro após traumatismo craniano grave, tumor intracraniano ou derrame cerebral. É a interrupção definitiva de todas as atividades cerebrais. NÃO DEVEMOS CONFUNDIR MORTE ENCEFÁLICA COM COMA.. O estado de coma é um processo reversível, o paciente em coma está vivo. A morte encefálica é irreversível, o paciente em morte encefálica não está mais vivo. Para confirmação do diagnóstico da morte encefálica são necessárias três avaliações, realizadas por médicos diferentes. As duas avaliações clínicas são realizadas por dois médicos capacitados. Estes médicos não devem fazer parte de uma equipe transplantadora. O exame complementar, é realizado por um terceiro médico, entre a 1.ª e 2.ª prova clínica ou como 3.ª prova. Crianças entre 7 dias e 2 anos, o exame indicado é o EEG (Eletroencefalograma), que deve ser, no mínimo, realizado duas vezes. São vários os diagnósticos para a verificação de morte encefálica.
Um deles é o diagnóstico gráfico de Morte Encefálica através de uma angiografia.
Imagem de uma angiografia com fluxo sangüíneo cerebral ---›

‹-- Angiografia com ausência de fluxo sangüíneo cerebral
Outro diagnóstico gráfico é o Doppler transcranino.
Eco Doppler transcranino com fluxo sangüíneo cerebral --›
Eco Doppler transcranino sem fluxo sangüíneo cerebral --›
Todo o processo pode ser acompanhado
por um médico de confiança da família do doador.
É fundamental que os
órgãos sejam aproveitados para a doação enquanto ainda há circulação sangüínea
irrigando-os, ou seja, antes que o coração deixe de bater e os aparelhos
não possam mais manter a respiração do paciente. Mas se o coração parar,
só poderão ser doados alguns tecidos como as córneas, pele e ossos.
Quais os requisitos para um cadáver ser considerado doador de órgãos?
Observação: Após diagnosticada a morte encefálica, a equipe capacitada da CIHDOTT (Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante) do Hospital onde encontra-se o potencial doador ou a equipe da OPO (Organização de Procura de Órgãos) deve informar a família de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante. Veja mais detalhes na Portaria n°1262 de 16/06/2006
Quem recebe os órgãos e/ou tecidos doados?
Quando é reconhecido um doador efetivo, a central de transplantes é comunicada, pois apenas ela tem acesso aos cadastros técnicos com informações de quem está na fila esperando um órgão. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade entre o doador e o receptor. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a receber o órgão.
Como garantir que meus órgãos não serão vendidos depois da minha morte?
As centrais de transplantes das secretarias estaduais de saúde controlam todo o processo, desde a retirada dos órgãos até a indicação do receptor. Assim, as centrais de transplantes controlam o destino de todos os órgãos doados e retirados.
Disseram-me que o corpo do doador depois da retirada dos órgãos fica todo deformado. Isso é verdade?
É mentira. A diferença não dá para perceber. Aparentemente o corpo fica igualzinho. Aliás, a Lei é clara quanto a isso: os hospitais autorizados a retirar os órgãos têm que recuperar a mesma aparência que o doador tinha antes da retirada. Para quem doa não faz diferença, mas para quem recebe sim!
Posso doar meus órgãos em vida?
Sim. Também existe a doação em vida. O médico
deverá avaliar a história clínica do doador e as doenças anteriores. A
compatibilidade sangüínea é primordial em todos os casos. Há também testes
especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso.
Os doadores vivos podem doar um dos rins, uma
parte do fígado (até 70% do seu tamanho; o figado, após a doação, se regenera em 45 dias), parte de um pulmão, a medula óssea (veja em nossa página) e o sangue.
Este tipo de doação só pode ser feita para alguém de sua família (até 4º grau) ou no caso de um amigo, será necessário uma autorização judicial.
Este tipo de doação entre vivos, só acontece se não representar nenhum problema de
saúde para a pessoa que doa.
Para doar órgãos em vida é necessário:
Órgãos e tecidos que podem ser doados em vida:
Quem não pode doar?
O que diz a Lei brasileira de transplante atualmente?
Lei que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes
do corpo humano para fins de transplante é a Lei 9.434, de 04 de fevereiro
de 1997, posteriormente alterada pela Lei nº. 10.211, de 23 de março de
2001, que substituiu a doação presumida pelo consentimento informado do
desejo de doar. Segundo a nova Lei, as manifestações de vontade à doação
de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, após a morte, que constavam
na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação,
perderam sua validade a partir do dia 22 de dezembro de 2000. Isto significa
que, hoje, a retirada de órgãos/tecidos de pessoas falecidas para a realização
de transplante depende da autorização da
famíliar.
Sendo
assim, é muito importante que uma pessoa, que deseja após a sua morte,
ser uma doadora de órgãos e tecidos comunique à sua família sobre o seu
desejo, para que a mesma autorize a doação no momento oportuno.
Como pode ser identificado um doador de órgãos?
A Centrais Estaduais também têm um papel importante no processo
de identificação/doação de órgãos. As atribuições das CNCDOs são, em linhas
gerais: a inscrição e classificação de potenciais receptores; o recebimento
de notificações de morte encefálica, o encaminhamento e providências quanto
ao transporte dos órgãos e tecidos, notificação à Central Nacional dos
órgãos não aproveitados no estado para o redirecionamento dos mesmos para
outros estados, dentre outras. Cabe ao coordenador estadual determinar
o encaminhamento e providenciar o transporte do receptor ideal, respeitando
os critérios de classificação, exclusão e urgência de cada tipo de órgão
que determinam a posição na lista de espera. O que é realizado com o auxílio
de um sistema informatizado para o ranking dos receptores mais compatíveis.
A identificação de potenciais doadores é feita, principalmente, nos hospitais
onde os mesmos estão internados, através das Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante, nas UTIs e Emergências em pacientes com o diagnóstico
de Morte Encefálica. As funções da coordenação intra-hospitalar baseiam-se
em organizar, no âmbito do hospital, o processo de captação de órgãos,
articular-se com as equipes médicas do hospital, especialmente as das
Unidades de Tratamento Intensivo e dos Serviços de Urgência e Emergência,
no sentido de identificar os potenciais doadores e estimular seu adequado
suporte para fins de doação, e articular-se com a respectiva Central de
Notificação, Captação e Distribuição de órgãos, sob cuja coordenação esteja
possibilitando o adequado fluxo de informações.
Conscientização
É preciso olhar sob o ponto de vista do paciente em fila de
espera.
Imaginemo-nos em seu lugar. Tente sentir a angustia de um dia após o outro,
aguardando o telefone tocar com a possibilidade de um doador. Conviva
com a deficiência de um órgão frágil, do qual depende sua vida e por muitas
vezes, morrer enquanto se espera. Adicione-se a isso o sofrimento familiar.
Todos ficam "doentes" de uma certa maneira. Conseguiu?
Quem sabe, a partir dessa perspectiva, o número de rejeição familiar passe
a diminuir.
Extraímos do site DOEAÇÂO
o texto abaixo que exprime essa conscientização.
"Um dia, um doutor determinará que meu cérebro
deixou de funcionar e que basicamente minha vida cessou. Quando isso acontecer,
não tentem introduzir vida artificial por meio de uma máquina. Ao invés
disso, dêem minha visão ao homem que nunca viu o sol nascer, o rosto de
um bebê ou o amor nos olhos de uma mulher. Dêem meu coração a uma pessoa
cujo coração só causou intermináveis dores. Dêem meus rins a uma pessoa
que depende de uma máquina para existir, semana a semana. Peguem meu sangue,
meus ossos, cada músculo e nervos de meu corpo e encontrem um meio de
fazer uma criança aleijada andar. Peguem minhas células, se necessário,
e usem de alguma maneira que um dia um garoto mudo seja capaz de gritar
quando seu time marcar um gol, e uma menina surda possa ouvir a chuva
batendo na sua janela. Queimem o que sobrou de mim e espalhem as cinzas
para o vento ajudar as folhas nascerem. Se realmente quiserem enterrar
alguma coisa, que sejam minhas falhas, minhas fraquezas e todos os preconceitos
contra meus semelhantes. Dêem meus pecados ao diabo e minha alma a Deus.
Se quiserem lembrar de mim, façam-no com um ato bondoso ou dirijam uma
palavra delicada a alguém que precise de vocês. Se vocês fizerem tudo
o que estou pedindo, viverei para sempre."
Fonte: Leitor de um jornal de grande circulação,
comovido com a situação dos transplantes em nosso país com o objetivo
de incentivar a cultura da doação.
Oração do Doador:
Ao Deus do meu coração e do meu entendimento,
que me proporcionou um corpo saudável e um coração generoso. Fazei que,
nenhuma vontade de parente ou amigo, suplante o meu desejo e determinação
de ser um doador de órgãos e de tecidos. . Rogo, a todos que tiveram oportunidade
e influenciaram em minha vida. Que após a minha morte, reservo-me o direito
de, agradecendo ao Criador, devolver este corpo que serviu de vestimenta
ao meu Ser, para que continue a servir ao meu Deus e a humanidade. Que
assim seja! Doar não dói, doe...
Autoria do Sr. Aldorindo Braz Mayer morador de Indaiatuba
LEGISLAÇÃO
Lei
9434 de 04/02/97
Para uma consulta mais ampla veja:
Legislação Sistema Nacional de Transplantes só até 2006 e alguns links não funcionam mais.
Consulte também o SAÚDELEGIS do MS:
Sistema de Legislação da Saúde coloque no campo "assunto", o termo "transplante de órgãos".
Relação das Coordenações Estaduais de Transplante e seus Respectivos Coordenadores