
Doar órgãos é um ato de amor e solidariedade.
Quando um transplante é bem sucedido, uma vida é salva e com ele resgate-se
também a saúde física e psicológica de toda a família envolvida com
o paciente transplantado. No Brasil, atingimos a marca de aproximadamente
70.000 pessoas (2007) aguardando por um transplante. Essas vidas dependem
da autorização da família do paciente com morte encefálica comprovada
autorizar a doação. Um gesto que pode transformar a dor da morte em
continuidade da vida.
Em 2009 o Brasil comemorou o aumento significativo de doações. Em junho deste ano o país alcançou a meta para o ano de 8,6 doadores por milhão de população (pmp). Em 6 Estados Basileiros (2 do Sudeste, 2 do Sul, 1 do Nordeste e 1 do Norte) os números ultrapassaram a 10 doadores pmp.
Em países como a Espanha, essa relação chega a 35 pmp. A Argentina
registra o número de 12 pmp.
Assim como a GABRIEL
muitas outras ONGs espalhadas pelo território nacional se propõem
a incentivar a doação e levar a informação correta à população sobre
Transplantes de Órgãos e Tecidos.
Através da informação poderemos alterar esses dados. Quanto mais a
população se conscientizar da importância de se tornar um doador,
menor será a angustiante fila de espera por órgãos.
Dentro desse universo existe uma outra realidade que é a do transplante
pediátrico. Se para o adulto a espera por um doador é difícil, imaginem
quando o paciente é uma criança. O número de doadores em potencial
reduz significativamente as chances da efetivação do transplante.
Existem hoje no Brasil, diversas Associações Médicas, ONGs e movimentos
independentes que trabalham incansavelmente para melhorar esse panorama.
Conheça algumas delas, acessando os sites em nossa relação de link´s.
Dúvidas Mais Frequentes
O que podemos doar?
Um único doador pode beneficiar até 25 pessoas! Ou melhor, 25 vidas! No entanto, os transplantes mais comuns são assim classificados: Órgãos: coração, fígado, rim, pâncreas, pâncreas/rim, pulmão, intestino e estômago. Tecidos: sangue, córnea, pele, medula óssea, dura máter, crista ilíaca, fáscia lata, patela, costelas, ossos longos, cabeça do fêmur, ossos do ouvido, safena, válvulas cardíacas.
Damos abaixo uma lista de órgãos e tecidos que são utilizados para transplantes:
dpc - depois da parada cardíaca apc - antes da parada cardíaca
Como posso me tornar um doador de órgãos?
O passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.
O que é morte encefálica?
É a morte do cérebro, incluindo tronco cerebral que desempenha funções vitais como o controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada cardíaca é inevitável. Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza a morte do indivíduo. Todo o processo pode ser acompanhado por um médico de confiança da família do doador. é fundamental que os órgãos sejam aproveitados para a doação enquanto ainda há circulação sangüínea irrigando-os, ou seja, antes que o coração deixe de bater e os aparelhos não possam mais manter a respiração do paciente. Mas se o coração parar, só poderão ser doadas as córneas.
Quais os requisitos para um cadáver ser considerado doador de órgãos?
Observação: Após diagnosticada a morte encefálica, o médico do paciente, da Unidade de Terapia Intensiva ou da equipe de captação de órgãos deve informar a família de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante.
Quem recebe os órgãos e/ou tecidos doados?
Quando é reconhecido um doador efetivo, a central de transplantes é comunicada, pois apenas ela tem acesso aos cadastros técnicos com informações de quem está na fila esperando um órgão. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade entre o doador e o receptor. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a receber o órgão.
Como garantir que meus órgãos não serão vendidos depois da minha morte?
As centrais de transplantes das secretarias estaduais de saúde controlam todo o processo, desde a retirada dos órgãos até a indicação do receptor. Assim, as centrais de transplantes controlam o destino de todos os órgãos doados e retirados.
Disseram-me que o corpo do doador depois da retirada dos órgãos fica todo deformado. Isso é verdade?
É mentira. A diferença não dá para perceber. Aparentemente o corpo fica igualzinho. Aliás, a Lei é clara quanto a isso: os hospitais autorizados a retirar os órgãos têm que recuperar a mesma aparência que o doador tinha antes da retirada. Para quem doa não faz diferença, mas para quem recebe sim!
Posso doar meus órgãos em vida?
Sim. Também existe a doação de órgãos ainda vivo. O médico
poderá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças anteriores. A
compatibilidade sangüínea é primordial em todos os casos. Há também testes
especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso.
Os doadores vivos são aqueles que doam um órgão duplo como o rim, uma
parte do fígado, pâncreas ou pulmão, ou um tecido como a medula óssea,
para que se possa ser transplantado em alguém de sua família (até 4º grau) ou até um amigo (Neste caso é necessário uma autorização judicial).
Este tipo de doação entre vivos, só acontece se não representar nenhum problema de
saúde para a pessoa que doa.
Para doar órgãos em vida é necessário:
Órgãos e tecidos que podem ser doados em vida:
Quem não pode doar?
O que diz a Lei brasileira de transplante atualmente?
Lei que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes
do corpo humano para fins de transplante é a Lei 9.434, de 04 de fevereiro
de 1997, posteriormente alterada pela Lei nº. 10.211, de 23 de março de
2001, que substituiu a doação presumida pelo consentimento informado do
desejo de doar. Segundo a nova Lei, as manifestações de vontade à doação
de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, após a morte, que constavam
na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação,
perderam sua validade a partir do dia 22 de dezembro de 2000. Isto significa
que, hoje, a retirada de órgãos/tecidos de pessoas falecidas para a realização
de transplante depende da autorização da
famíliar.
Sendo
assim, é muito importante que uma pessoa, que deseja após a sua morte,
ser uma doadora de órgãos e tecidos comunique à sua família sobre o seu
desejo, para que a mesma autorize a doação no momento oportuno.
Como pode ser identificado um doador de órgãos?
A Centrais Estaduais também têm um papel importante no processo
de identificação/doação de órgãos. As atribuições das CNCDOs são, em linhas
gerais: a inscrição e classificação de potenciais receptores; o recebimento
de notificações de morte encefálica, o encaminhamento e providências quanto
ao transporte dos órgãos e tecidos, notificação à Central Nacional dos
órgãos não aproveitados no estado para o redirecionamento dos mesmos para
outros estados, dentre outras. Cabe ao coordenador estadual determinar
o encaminhamento e providenciar o transporte do receptor ideal, respeitando
os critérios de classificação, exclusão e urgência de cada tipo de órgão
que determinam a posição na lista de espera. O que é realizado com o auxílio
de um sistema informatizado para o ranking dos receptores mais compatíveis.
A identificação de potenciais doadores é feita, principalmente, nos hospitais
onde os mesmos estão internados, através das Comissões Intra-hospitalares
de Transplante, nas UTIs e Emergências em pacientes com o diagnóstico
de Morte Encefálica. As funções da coordenação intra-hospitalar baseiam-se
em organizar, no âmbito do hospital, o processo de captação de órgãos,
articular-se com as equipes médicas do hospital, especialmente as das
Unidades de Tratamento Intensivo e dos Serviços de Urgência e Emergência,
no sentido de identificar os potenciais doadores e estimular seu adequado
suporte para fins de doação, e articular-se com a respectiva Central de
Notificação, Captação e Distribuição de órgãos, sob cuja coordenação esteja
possibilitando o adequado fluxo de informações.
Conscientização
É preciso olhar sob o ponto de vista do paciente em fila de
espera.
Imaginemo-nos em seu lugar. Tente sentir a angustia de um dia após o outro,
aguardando o telefone tocar com a possibilidade de um doador. Conviva
com a deficiência de um órgão frágil, do qual depende sua vida e por muitas
vezes, morrer enquanto se espera. Adicione-se a isso o sofrimento familiar.
Todos ficam "doentes" de uma certa maneira. Conseguiu?
Quem sabe, a partir dessa perspectiva, o número de rejeição familiar passe
a diminuir. Extraímos do site DOEAÇÂO
o texto abaixo que exprime essa conscientização.
"Um dia, um doutor determinará que meu cérebro
deixou de funcionar e que basicamente minha vida cessou. Quando isso acontecer,
não tentem introduzir vida artificial por meio de uma máquina. Ao invés
disso, dêem minha visão ao homem que nunca viu o sol nascer, o rosto de
um bebê ou o amor nos olhos de uma mulher. Dêem meu coração a uma pessoa
cujo coração só causou intermináveis dores. Dêem meus rins a uma pessoa
que depende de uma máquina para existir, semana a semana. Peguem meu sangue,
meus ossos, cada músculo e nervos de meu corpo e encontrem um meio de
fazer uma criança aleijada andar. Peguem minhas células, se necessário,
e usem de alguma maneira que um dia um garoto mudo seja capaz de gritar
quando seu time marcar um gol, e uma menina surda possa ouvir a chuva
batendo na sua janela. Queimem o que sobrou de mim e espalhem as cinzas
para o vento ajudar as folhas nascerem. Se realmente quiserem enterrar
alguma coisa, que sejam minhas falhas, minhas fraquezas e todos os preconceitos
contra meus semelhantes. Dêem meus pecados ao diabo e minha alma a Deus.
Se quiserem lembrar de mim, façam-no com um ato bondoso ou dirijam uma
palavra delicada a alguém que precise de vocês. Se vocês fizerem tudo
o que estou pedindo, viverei para sempre."
Fonte: Leitor de um jornal de grande circulação,
comovido com a situação dos transplantes em nosso país com o objetivo
de incentivar a cultura da doação.
Oração do Doador:
Ao Deus do meu coração e do meu entendimento,
que me proporcionou um corpo saudável e um coração generoso. Fazei que,
nenhuma vontade de parente ou amigo, suplante o meu desejo e determinação
de ser um doador de órgãos e de tecidos. . Rogo, a todos que tiveram oportunidade
e influenciaram em minha vida. Que após a minha morte, reservo-me o direito
de, agradecendo ao Criador, devolver este corpo que serviu de vestimenta
ao meu Ser, para que continue a servir ao meu Deus e a humanidade. Que
assim seja! Doar não dói, doe...
Autoria do Sr. Aldorindo Braz Mayer morador de Indaiatuba
LEGISLAÇÃO
Lei
9434 de 04/02/97
Para uma consulta mais ampla veja:
Legislação Sistema Nacional de Transplantes